Vale Tudo, inclusive 3 horas de poltrona e nostalgia

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Aos 14, chorei as primeiras desilusões amorosas ao som dele. Aos 16, assisti ao seu primeiro show, no Palácio Popular da Cultura (na minha cidade, que de popular, só tem
o nome). Aos 17, em viagem com amigas à Garopaba, presenciei o segundo show – mais emocionante que o primeiro, pois o cenário era o mar e uma garoa fina – e alguns tropeços na hora de cantar. Sim, me lembro como se fosse hoje. Aos 32, o momento
foi de grande nostalgia, ah, se o mundo inteiro me pudesse ouvir…

Tim Maia – Vale Tudo, o Musical foi inspirado na biografia escrita por Nelson Motta, e quem faz o papel do cantor é o elogiadíssimo Tiago Abravanel. Abre parêntese. O ator faz qualquer um repensar as escolhas, pelo simples fato de que é revigorante ver o desempenho de alguém que transborda talento e paixão no que faz. Fecha parêntese.

É uma viagem no tempo. Com uma banda afinadíssima no palco, o musical conta da vida de Tim Maia desde a época em que ele era jovem, magro, perdido, um Zé ninguém. Até encontrar pessoas como Roberto Carlos, Jorgen Ben Jor e Elis Regina. Sim, eles eram todos da mesma roda. O casting de atores foi feito de forma impecável, os figurinos de época, regado a cores vibrantes, é de extremo bom gosto e as piadas, no timing certo.
É uma fatia deliciosamente dramática da música brasileira. Para os fãs de carteirinha: prepare-se para chorar, rir, chorar, rir, rir, chorar… Sexo, drogas e Rock and Roll – quer dizer, sexo, nem tanto – parece mesmo combinar com este intenso cantor e compositor, que ajudou a construir e chacoalhar o percurso da música brasileira.

Créditos: As fotos foram tiradas pelo querido Caio Gallucci,
meu professor de fotografia!

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Tim Maia – Vale Tudo – o Musical
Onde? Teatro Procópio Ferreira
Rua Augusta, 2823

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Tapas bem decoradas

O desejo era ir em algum lugar gostoso, mas que não fosse de velho. Animado, mas que não fosse badalação – pois se tratava de um encontro girlie sem os respectivos maridos. A ideia foi o Alma María, novo bar de tapas que abriu na Oscar Freire, que se trata de um local extremamente bem decorado (sabe o incrível Kaa? É a mesma pessoa que assina o projeto arquitetônico) e feliz escolha para encontrinhos à moda Sex and The City com amigas da terrinha, mais que especiais (Ana + Má). Nos jogamos nas tapas, claro, e esta que mais parece uma brusquetinha (da foto abaixo) com tomates frescos foi uma feliz escolha, bem suave e saborosa. O montadito de frango, com maçã e curry estava pequeno na medida que as tapas devem ser, porém bem gostosas. As batatas bravas com molho picante, deixaram a desejar. Ao final da noite, ainda famintas, pedimos um risoto de tinta de lula – esse sim valeu a pena. De atendimento impecável, o Alma María tem seu charme.

Alma María
Onde? Oscar Freire, 439
Durante a semana, tem almoço executivo por R$ 48,00

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A dançarina, o ladrão e o argentino

Toda vez que assisto a um filme com o argentino Ricardo Darín, eu saio com a sensação de que ele não vai mais conseguir fazer algo tão emocionante (senti isso com este, este e este), e não adianta, esta sensação sempre se repete. Desta vez, o longa se chama A dançarina e o ladrão, que é a história de um jovem aspirante à ladrão, que se envolve com uma pobre dançarina e se torna amigo de um ladrão-mito. O cenário é o Chile, e a cordilheira é uma bela moldura para este impecável roteiro – dos que assisti nos últimos tempos, este ganha no quesito lúdico-romântico, quase escorre açúcar pela telona, beirando o piegas. Para piorar a situação, a história, tem como pano de fundo a dança, corações dilacerados, desencontros, com direito à cena dramática na tempestade de neve. Em certo momento, o jovem ator que faz o ladrão (que está perfeito no papel), se refere ao seu amor, com olhar distante e respiração profunda, dizendo que só consegue entendê-la, quando a assiste dançar. Tem como não se apaixonar?

PS: Por falar em dança, se ainda não assistiu ao longa, em 3D, dirigido por Wim Wenders, sobre a Pina Bausch, vá! Tive o grande privilégio de ver a companhia ao vivo no teatro Alfa, e o longa só confirmou o óbvio. Uma frase, da própria Pina, que sintetiza a plenitude através da dança, é: dance, dance, se não, estamos perdidos.

Então, dancemos.

A Dançarina e o Ladrão
Direção: Fernando Trueba 

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Vídeo 3: para quem gosta de flores

Esta semana, eu, meu pai e minha mãe fomos ao CEAGESP comprar flores, o vídeo e as fotos que você viu aí em cima, é uma pequena parte da festa! Só indo mesmo, para saber exatamente do que estou falando…

CEAGESP
Onde? Av. Dr. Gastão Vidigal, 1946, Vila Leopoldina
Se for de carro, entre pelo portão 4

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Due Cuochi, de lembrar, dá água na boca


Tem uma amiga que sempre diz: tem lugar, que vale muito a pena pagar caro, porque é bom de verdade, e não enganação, como a maioria dos restaurantes da modinha por aí.
O Due Cuochi se aplica perfeitamente nesta constatação, e na minha concepção (e do Breno) é o melhor italiano da cidade (tá bom vai, empata com o Tre Bicchieri), e a gente não ia lá há muito e muito tempo e foi até engraçado, pois quando chegaram os pratos à mesa, parecíamos dois bobos mastigando e repetindo a frase, como um mantra (é sério): Por que a gente parou de vir aqui? Que prato bom é esse? Por que a gente parou de vir aqui? Que prato bom é esse? Por que a gente parou de vir aqui? Eu pedi o nhoque de mandioquinha com lagosta (da foto acima) e o Breno pediu o risoto de frutos do mar. Desculpem minha mania megalomaníaca de exagerar absurdamente nos elogios e nas coisas que gosto, mas a culpa é deles, e não minha.

Para noites especiais.

Due Cuochi Cucina
Onde? Rua Manoel Guedes, 93, Itaim

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O Libertino: impecável


Fazia muito tempo que não assistia a uma peça de época. Tinha me esquecido das delícias de sentir cheiro de ácaro, daqueles cenários preenchidos por móveis de outros carnavais, da graciosidade dos atores com seus cabelos bem montados e suas roupas deliciosamente engomadas. O  Libertino conta a história de um filósofo, chamado Diderot, que é convidado a escrever sobre a moral. Com pano de fundo, traições e relacionamentos de amor excessivo pelas mulheres, o protagonista, encenado por Cassio Scapin, atua de forma cômica, nos dando de presente expressões faciais indescritíveis. Diderot é casado, tem uma filha, que tem uma amiga, que se envolve na trama da amante do pai da amiga… uma confusão, um nó, que desamarra com o mais alto nível de inteligência e atuação dos atores. Como por exemplo, a filha do filósofo, que demora a entrar em cena, mas que arranca as melhores risadas do público, por citar um texto que não condiz com sua carinha angelical e por atuar regada de artifícios teatrais, muito bem empregados.  Em certo momento, não pude conter a sardinha para o lado das mulheres, que se vingam por todas nós, de forma divertida e maquiavélica, nesta guerra dos sexos, que neste caso, mostra o desespero de um Don Juan, descaradamente aceito pela sociedadeA peça fala de coisa séria, como a filosofia e a moral – sim, temas densos e frases insesquecíveis, mas que resultou em algo leve, divertido e totalmente digerível para um sábado de outono.

Uma pena que este tenha sido o último fim de semana da temporada em São Paulo, mas você que mora fora de São Paulo, fique atento, pois a trupe está de malas prontas para viajar o Brasil afora, começando por Santos, no próximo final de semana.

PS: Agradecimentos ao maridinho, que assarou na escolha, que comprou as entradas de presente!

O Libertino
Texto:  Eric-Emmanuel Schmitt (baseado no filósofo Denis Diderot)
Adaptação e direção: Jô Soares

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Todos somos meio Madame Bovary

Esta semana terminei de ler Madame Bovary, e compreendi enfim, o por quê de ser um clássico e de se tratar de um livro à frente do seu tempo. Para quem não sabe, é a história de uma moça graciosa, que se casa, e vai morar numa cidade bem pequena no interior da França com o seu marido, que é apaixonado por ela. Ela tem uma vida tranquila, tinha tudo para ser feliz, mas ela, inconformada e insatisfeita com a vida que estava levando, criou um mundinho paralelo e perigoso, para não surtar com o tédio.

Emma Bovary não é a mulher adúltera de Flaubert. Ela é aquela mulher inquieta e entediada com as pessoas insistentemente sem sal que a cercam. Madame Bovary é a síntese da insatisfação humana. E como é. Jogue a primeira pedra que não se sente anestesiado de estar na própria pele, de vez em quando, quem não quer jogar aquela vidinha para o alto. Ou não. Quem de vez em quando se pega vivendo uma vida feliz, honesta, regada a amor, mas… de repente ele vem, o tédio vem e se instala sem pedir licença. E vai embora sem se despedir.

E volta de novo sem pedir licença. Aparece e desaparece como um fantasma.

Vamos esquecer que Emma Bovary é uma mulher. Emma Bovary sou eu, é você, somos todos nós, na busca incessante de não-sei-o-quê. Ainda com os dramas mexicanos de Emma frescos na memória, tive a ousadia (tudo isso não passa de uma brincadeira, tá) de fazer uma lista de coisas que Emma Bovary faria se morasse hoje em São Paulo, para passar o tempo e não colocar caraminholas na cabecinha desajustada e iludida.

E você, que conselho daria para Madame Bovary?

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